4º EAF: Professor Carlos André palestra sobre a Comunicação em tempos de crise
Ponto alto do evento inicial do 4º EAF foi a palestra proferida pelo professor Carlos André, do instituto que leva o seu nome
O 4º Encontro dos Auditores-Fiscais (EAF), promovido pelo Sindifisco-GO, teve como tema central a autonomia e o modelo de gestão da Administração Tributária de Goiás. A programação incluiu palestras e discussões sobre a reforma tributária, o IBS, a Lei Orgânica da Administração Tributária (LOAT) e os rumos do Fisco goiano.
Na cerimônia de abertura, realizada na noite de quinta-feira, 24, no Auditório Gerson Bosco Júnior, na sede do sindicato, tendo como cerimonialista o renomado jornalista Jordevá Rosa, auditores e auditoras-fiscais recém-aposentados foram homenageados. O ponto alto do evento inicial do 4º EAF foi a palestra proferida pelo professor Carlos André, do instituto que leva o seu nome.
Além de auditores-fiscais, estiveram presentes ao encontro o presidente do Sindifisco-GO, Paulo Sérgio Carmo, a presidente da Affego, Dalvina Alves Cardoso, além dos componentes das diretorias das duas instituições.
Aposentados homenageados
A primeira parte do evento foi marcada pela execução do Hino Nacional Brasileiro e pela homenagem aos auditores e auditoras-fiscais recém-aposentados. O tributo destacou a contribuição desses servidores públicos para a construção e o funcionamento da Administração Tributária goiana, além do reconhecimento pela trajetória profissional, pelos serviços prestados ao Estado de Goiás e pelo legado deixado à categoria e a toda a sociedade.
Receberam pessoalmente a placa de homenagem pela aposentadoria, das mãos dos presidentes Paulo Sérgio Carmo e Dalvina Alves Cardoso, os seguintes auditores-fiscais: Rosângela Maria Lima Gama, Jailton de Oliveira Gomes e Marcelo Cardoso Valente.
Receberão em suas respectivas residências a homenagem os seguintes auditores recém-aposentados: José Augusto Duarte, Eraldo Garcia Rúbio, Rosa Álvares de Oliveira, Leônidas Ramos Pereira, André Luiz Gouveia Barbosa, Francisco Arthur Canel, Afrânio Gontijo de Araújo, Paulo Cezar de Rezende, Regina Nascimento Gagno de Moraes. A família do auditor-fiscal falecido, Renato Pinheiro de Lima, receberá uma homenagem póstuma.
Permanecem os vínculos
Em sua fala, a presidente Dalvina Cardoso enfatizou que a aposentadoria não significa inatividade. Para ela, os aposentados continuam fazendo parte da categoria e devem permanecer próximos das entidades representativas.
“A identidade profissional e os vínculos construídos durante a carreira permanecem depois da aposentadoria. É preciosa uma participação conjunta de ativos e aposentados nas entidades de classe, ressaltando a convivência, a troca de experiências e o conhecimento acumulado. Tudo isso é importante para o fortalecimento coletivo”, pontua Dalvina Cardoso.
Já o presidente do Sindifisco-GO, em seu discurso, explicou a origem e os objetivos do EAF. Ele lembrou que o encontro existe desde 2021, criado depois do período mais crítico da pandemia, com a intenção de oferecer à categoria um espaço de convivência, capacitação, debate e reflexão.
Rumos do Fisco
Nesta edição, contudo, Paulo Sérgio Carmo apresentou uma preocupação mais específica: discutir profundamente os rumos do Fisco diante das transformações provocadas pela reforma tributária e pela implantação do IBS.
Entre os temas que considerou fundamentais estiveram em pauta a LOAT e o papel do auditor-fiscal no IBS. Além disso, o papel do auditor-fiscal no IBS, a fiscalização e a operacionalização do novo sistema tributário, a reorganização da Receita Estadual após o processo eleitoral e a participação efetiva dos auditores nas decisões sobre o futuro da carreira.
“Os auditores são autoridades tributárias e, portanto, precisam participar diretamente das discussões que definirão sua atuação nos próximos anos”, afirma.
“O sindicato é uma entidade de representação e resistência, e não apenas como uma organização voltada à negociação salarial. Nossa atuação sindical deve envolver a defesa institucional da carreira, das atribuições dos auditores e do papel da Administração Tributária”, argumenta.
“A categoria precisa participar ativamente das discussões sobre o futuro do Fisco, assumindo responsabilidade sobre sua própria trajetória”, enfatizou Paulo Sérgio Carmo.
Comunicação é Poder em Épocas de Crise
A grande atração da noite de abertura do 4º EAF foi a palestra “Comunicação é Poder em Épocas de Crise”, proferida pelo advogado, linguista, professor de língua portuguesa e redação jurídica, servidor público do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM/GO) e vice-presidente da Escola Superior de Advocacia da OAB/Seção Goiás, Carlos André.
O palestrante estabeleceu, desde o começo, que a sua palestra seria menos sobre oratória e mais sobre “escutatória” — isto é, voltada à capacidade de ouvir, compreender e transformar aquilo que é compreendido em ação.
A apresentação, que pode ser assistida na íntegra no canal do Sindifisco-GO no YouTube, ofereceu uma análise histórica sugerindo que as transformações econômicas e sociais — particularmente a ascensão do neoliberalismo, da globalização e do individualismo — modificaram o papel do Estado, dos sindicatos e das profissões públicas.
Fortalecimento institucional do Fisco
O professor sustentou em sua fala que uma categoria efetiva e de carreira de Estado, como a do Fisco, precisa possuir uma identidade coletiva forte. Ele compara a situação da Receita Estadual com outras carreiras e instituições, especialmente a advocacia e a OAB:
“A OAB é apresentada como exemplo de uma instituição que conseguiu construir uma representação nacional capaz de defender seus componentes, independentemente do local onde estejam. A partir desse exemplo, vocês precisam sempre se lembrar de que existe uma estrutura institucional equivalente capaz de representar o Fisco e os auditores-fiscais de forma integrada”, pontua.
Risco para a carreira
Carlos André traçou um prognóstico de que, caso a tendência de redução do Estado e fragmentação institucional continue, a carreira de auditor-fiscal poderá perder importância.
Ele advertiu que uma carreira de Estado que, no passado, teve muito poder e importância poderia gradualmente se tornar mais técnica, burocrática e substituível, especialmente com o progresso da inteligência artificial (I.A.).
Por isso, o palestrante defendeu que os auditores-fiscais precisam compreender o processo histórico e político-econômico no qual estão inseridos, para fortalecer sua identidade institucional.
“Ouvir, entender e agir”
O palestrante propôs uma espécie de fórmula: ouvir → entender → agir. Segundo ele, “ouvir” significa simplesmente receber a informação. Entender exige algo mais profundo: compreender o significado daquela informação para quem a transmite.
Carlos André também ressaltou que é preciso ouvir, compreender e agir. Para o professor palestrante, isso tem aplicação direta ao futuro do Fisco:
“A categoria precisa compreender as transformações da reforma tributária, fortalecer sua representação institucional e participar das decisões que definirão suas atribuições”, frisa.
“Em essência, a crise deve ser encarada como uma ruptura que exige reflexão e reorganização, e que o futuro da carreira do Fisco dependerá não apenas das decisões da administração, mas também da capacidade dos próprios auditores-fiscais de compreender sua situação, organizar-se coletivamente e participar das decisões sobre o futuro da Administração Tributária de Goiás”, argumenta Carlos André.
Confira o evento na íntegra:
Comunicação Sindifisco-GO